Metáforas já não me traduzem. Eu que sempre joguei minhas palavras ao vento, incoerentes, impostoras de minhas verdades, já não consigo mascarar o inevitável. Segurança já não me conceitua. Eu que sempre tive idéias concretas, agora me vejo nessa duvida cotidiana que me consome inteira, que me deixa menos mulher, menos filha, menos amiga, menos viva. Quanta insegurança carregam os corpos sem alma, meu amor? Alma já não me traduz mais. Fui despida da minha essência sem pudor algum, acreditando na beleza dos outros, esquecendo a minha. Esqueci. Metaforizei agora quando já não mais podia, minhas geometrias imprevistas sempre contradizendo a si próprias. Incoerência me traz a segurança dos desafortunados, que nada perdem se nada tem. Divaguei sobre segurança quando já não podia. Não posso. Eu aqui, despida de alma mas ainda a entregando por inteira enquanto escrevo. Entregando o que não tenho nessa tolice que, se não sana minhas dores, se não me desafoga meus medos, se não cala meus gritos, ao menos, por fim, me traduz. (Marcela Santos)
Venham cá e me façam uma confissão.
Ah, Boa Noite!